
Charles Grossman, um dos principais repórteres da San News e um dos mais veteranos no departamento investigativo, estava dentro da van azul com o motorista Luther Patterson e o câmera George Blackmon caracterizados – disfarçados, à propósito – no bairro de Idlewood, onde alguns poderiam chamar aquela área de Crystal Gardens. O plano e rota era o seguinte: Eles teriam de rodar por toda Idlewood à procura de algum grupo do subúrbio, desde Crystal Gardens – como aqueles negros chamava – passando pela Boulevard e chegando em Idlegas, onde geograficamente terminaria Idlewood. Após Charles explicar todo o plano para seus colegas de trabalho, Patterson rapidamente girou a chave na ignição e o motor roncou. Era um fim de tarde, e talvez aquilo poderia ser um sucesso, sairia até na página principal dos jornais! Saindo de Market e chegando até Crystal Gardens, encontraram uma pequena aglomeração de negros espalhados pelos condomínios azuis que ali se encontravam. Aqueles rapazes eram todos novos e pareciam usar bandanas pretas atreladas às roupas.
O câmera discretamente colocou a câmera por de dentro do carro, na direção da janela, tentando se focar em um dos negros que usavam alguns Dreadlocks, enquanto Charles saía rapidamente do banco de co-piloto e dirigia-se até o rapaz que estava sendo filmado. Charles, com roupas discretas e casuais foi até o rapaz e começou um diálogo. Grossman foi cercado pelos negros, que normalmente conversavam, apesar de desconfiados. Alguns minutos se passam e Charles volta para o veículo. Ele tinha conseguido poucas informações, além das bandanas pretas apenas havia conseguido o apelido do representante daqueles condomínios, o qual era chamado de Bleed.
Passa-se algum tempo e o grupo resolve almoçar na Well Stacked Pizza – que por incrível que pareça, também se localizava em Idlewood -. Após os três homens estarem sentados e degustando de sua maravilhosa pizza, Grossman não conseguia tirar da sua cabeça o serviço que lhe foi passado, e observava atentamente através da janela para notar qualquer movimentação hostil. Blackmon paga a conta e volta para a van junto ào motorista. Grossman decide ficar po ali, enquanto pede para que o veículo fosse estacionado de baixo da ponte, em um local que ainda pudesse se ter visualização normal de Charles. Então, o repórter caminha para o outro lado da rua, mais precisamente em direção à uma barbearia, um outro negro – muito forte e alto por sinal – aproximava-se de Grossman, um tanto agressivo e com rimas na ponta da língua. Tratava-se de MC Ren. Ali os rapazes já pareciam mais agressivos e até um pouco mais perigosos, já que se podia notar um forte volume por de baixo das roupas de Ren. Charles decide então rapidamente voltar para sua van, despercebido pelo grupo de Ren e os demais rapazes de Boulevard.
Era a cartada final e Charles precisava de uma imagem sequer para que recebesse no mínimo um “parabéns” de seu diretor. Ele estava na van com o motorista Luther que apontava com um dos braços rapidamente para um negro de camiseta branca listrada que conversava discretamente com outro em um beco, Charles decide pedir que Blackmon filme tudo aquilo. Por final das contas, o rapaz de branco recebia algumas notas verdes – visivelmente dinheiro – e passava ào outro um pacote preto, sem poder se ver o que continha dentro. Charles então decide descer da van novamente e ir conversar com aquele rapaz no próprio beco. O rapaz apresentou-se como Dee e também continha um volume por de baixo da camiseta, era algo mais grosso e modelado, o que deixava ainda mais Grossman amedrontado e atencioso. Foi quando um grupo maior ainda de negros aproximou-se dos dois, que eram chamados por um negro que usava um moletom preto e dreadlocks longos que Blackmon decidiu se aproximar mais. Dito e feito, Dee percebeu a movimentação do câmera com a mesma empunhada em mãos e gravando que Grossman foi obrigado à fugir. Foi uma noite intensa, já que após chegar no veículo o mesmo havia sido fuzilado e Blackmon levou um tiro de raspão, além de ter tido danos na câmera, que perdeu todo seu filme.
Texto escrito por Herbert Albert Obertopp
Créditos à Bruno Gondim pela imagem
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